As não conformidades mais comuns e como evitá-las
Introdução: porque surgem tantas não conformidades?
As não conformidades continuam a ser um dos principais desafios das organizações durante auditorias, inspeções e processos de certificação. Embora muitas empresas invistam em sistemas de gestão, a verdade é que pequenos desvios acumulados podem comprometer resultados, reputação e conformidade legal.
Por isso, compreender quais são as não conformidades mais frequentes e, sobretudo, como evitá-las, torna-se essencial para garantir a melhoria contínua e o bom desempenho organizacional.
1. Falta de documentação atualizada
Em primeiro lugar, a ausência ou desatualização de documentos é uma das não conformidades mais comuns em auditorias.
Procedimentos antigos, versões não controladas ou documentos que já não refletem a prática real colocam a organização em risco. Além disso, documentos desatualizados geram confusão entre colaboradores e dificultam a execução correta dos processos.
Como evitar:
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Rever periodicamente toda a documentação do sistema de gestão
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Definir responsáveis claros pela atualização documental
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Garantir o controlo de versões e o acesso apenas a documentos válidos
Desta forma, a organização assegura coerência entre o que está documentado e o que é executado.
2. Registos incompletos ou inexistentes
Por outro lado, mesmo quando os processos estão bem definidos, a falta de registos compromete a evidência de conformidade. Em auditorias, o que não está registado é considerado como não realizado.
Fichas de controlo incompletas, assinaturas em falta ou ausência de evidências são falhas recorrentes.
Como evitar:
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Sensibilizar as equipas para a importância dos registos
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Simplificar formulários para facilitar o preenchimento
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Implementar verificações periódicas da qualidade dos registos
Assim, garante-se rastreabilidade e demonstração objetiva do cumprimento dos requisitos.
3. Falta de formação e sensibilização dos colaboradores
Frequentemente, as não conformidades resultam não de má vontade, mas de desconhecimento. Quando os colaboradores não compreendem os procedimentos, os requisitos legais ou os objetivos do sistema de gestão, os erros tornam-se inevitáveis.
Além disso, a rotatividade de pessoal agrava este problema quando não existe um plano de integração eficaz.
Como evitar:
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Implementar planos de formação contínua
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Realizar ações de sensibilização práticas e adaptadas à função
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Avaliar regularmente a eficácia da formação ministrada
Deste modo, a organização reduz falhas operacionais e reforça a cultura de qualidade.
4. Não cumprimento de requisitos legais e regulamentares
Outra não conformidade crítica prende-se com o incumprimento da legislação aplicável. Muitas empresas desconhecem alterações legais ou não acompanham atualizações normativas relevantes para a sua atividade.
Consequentemente, acabam por falhar em auditorias ou inspeções externas.
Como evitar:
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Manter um levantamento legal atualizado
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Designar responsáveis pelo acompanhamento legislativo
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Realizar auditorias internas focadas em requisitos legais
Assim, a empresa atua de forma preventiva e reduz riscos legais e financeiros.
5. Auditorias internas ineficazes
Embora as auditorias internas sejam obrigatórias em muitos referenciais, nem sempre são realizadas com rigor. Auditorias superficiais, sem análise crítica, deixam passar falhas que mais tarde surgem como não conformidades externas.
Além disso, quando as auditorias são vistas como mera formalidade, perdem o seu verdadeiro valor.
Como evitar:
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Formar auditores internos qualificados
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Planear auditorias com critérios claros e objetivos
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Tratar as auditorias como ferramentas de melhoria, e não como obrigação
Desta forma, a organização identifica problemas atempadamente e corrige-os antes que se agravem.
6. Ações corretivas mal definidas ou não implementadas
Por fim, muitas não conformidades repetem-se porque as ações corretivas não resolvem a causa raiz do problema. Em vez disso, tratam apenas os sintomas.
Além disso, a falta de acompanhamento das ações compromete a sua eficácia.
Como evitar:
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Analisar corretamente a causa raiz das não conformidades
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Definir ações corretivas claras, realistas e mensuráveis
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Monitorizar a implementação e avaliar resultados
Assim, evita-se a reincidência de falhas e promove-se a melhoria contínua.
Conclusão: prevenir é sempre mais eficaz do que corrigir
Em síntese, as não conformidades mais comuns surgem devido a falhas de organização, comunicação e acompanhamento. No entanto, com processos bem definidos, formação adequada e uma abordagem preventiva, é possível reduzir significativamente a sua ocorrência.
Por isso, investir em sistemas de gestão eficazes, auditorias bem conduzidas e equipas conscientes não só evita não conformidades, como fortalece a competitividade e a credibilidade da organização.
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